Artigo do presidente da OAB/RS, Ricardo Breier, no Correio do Povo: (In)segurança tecnológica


14.06.19 | Advocacia

Os fatos recentes, envolvendo a atuação de hackers, constituem mais um episódio que abrange crimes cibernéticos. Não foi o primeiro, não será o último ataque. Por isso ganham importância os alertas sobre segurança tecnológica. Algumas análises apontam que já vivemos um período de guerra tecnológica, controle das informações, domínio de criptografia e códigos avançados. É uma realidade inquietante. Até que ponto estamos todos expostos, vulneráveis, acessíveis e sendo controlados?

O mundo já convive com uma sociedade virtual, incluindo digitalização, informações arquivadas em nuvens invisíveis e conectividade planetária. São poucos lugares do planeta Terra que podem ser considerados "isolados". Por onde passamos, deixamos rastros e pistas tecnológicas. Essas “pegadas” ficam circulando e são captadas por algum dispositivo, nem sempre visível. Com essa exposição – que, é necessário se dizer, traz muitas vantagens para a sociedade, com celeridade e melhor aproveitamento do tempo -geramos questionamentos sobre o ambiente (in) seguro em que nos encontramos. Quem está efetivamente protegido? Quanto valem essas informações? Quem vai ter acesso? E se não for um hacker, mas interesses políticos e econômicos que se envolvem na divulgação de dados sigilosos, mensagens, fotos e outras questões privadas de cada um de nós?

Essa situação de criminosos já repercutiu na elaboração de duas leis que tipificam os crimes na Internet, alterando o Código Penal e instituindo penas para crimes como: invasão de computadores, disseminação de vírus ou de códigos para o roubo de senhas, do uso de dados de cartões de crédito e de débito sem autorização do titular. Vivemos esse misto de incertezas. É um novo sentir de oportunidades oferecidas pela tecnologia. São inegáveis tantos avanços, tantas conquistas e melhorias para a sociedade. Mas esse novo sentir vem junto com as interrogações que permeiam um mundo virtual sobre o qual não sabemos os limites da segurança.

Um diálogo, uma foto, uma mensagem num aparelho de telefone celular. Para cada pessoa, pode ser um momento único em que se acredita estar protegido pelo sigilo. Nesse momento, a recomendação é ter toda prudência possível e fazer valer as orientações de proteção.

Fonte: OAB/RS