|   Jornal da Ordem Edição 3.216 - Editado em Porto Alegre em 23.05.2019 pelo Departamento de Comunicação Social da OAB/RS
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ARTIGO

16.07.07  |  Roberto Porto   

Vaia à impunidade

Por Roberto Porto,
jornalista (*)

A assessoria da Presidência da República procura até agora razões para a estrondosa vaia que Lula recebeu no Maracanã, na solenidade de abertura dos Jogos Pan-Americanos. Para uns, não havia povo no estádio (cada ingresso custou 250 reais) e a classe média e média alta não gosta do presidente e não foi com seus votos que ele se elegeu pela segunda vez.

Para outros, inclusive o próprio presidente, usando uma frase de dramaturgo Nélson Rodrigues (1912-1980), "o Maracanã vaia até minuto de silêncio".

Para mim, porém, que assisti à toda a festa pela televisão, quem estava no Maracanã vaiou a espetacular impunidade que reina no Rio de Janeiro e no país, apoiada pela Justiça, da mais baixa até o Supremo Tribunal Federal.

O povo carioca – ali representando todo os brasileiros – já não suporta mais a roubalheira generalizada nos altos escalões. De nada adianta a Polícia Federal promover operações sigilosas e prender centenas de falcatrueiros, com ligações com os integrantes do Congresso Nacional, porque logo eles estarão de volta às ruas sem que coisa alguma lhes aconteça. O último escândalo, de proporções inimagináveis, ocorreu dentro da própria Petrobras, nas licitações para a concorrência da construção das plataformas de petróleo.

E mais: o carioca, em particular, sofre dia e noite com os tiroteios nas ruas e o cerco às favelas, nas quais os traficantes, bem entrincheirados e armados até os dentes, resistem às múltiplas operações da Polícia Civil, Polícia Militar e até da Força Nacional. Eles, os traficantes, sabem muito bem que a Operação Sufoco – quanto mais longa for – vai acabar com seus lucros na venda de drogas e por isso encaram até a morte. Mas em 400 favelas do Rio há as chamadas bocas de fumo que funcionam normalmente e recebem cada vez mais armas para o caso de uma tentativa de invasão policial.

Em poucas e escassas palavras, não foi apenas o presidente Lula que foi vaiado. Foi o modelo de governo que vigora no Brasil de hoje, um Brasil que sofre até mesmo com incontáveis apagões aéreos, provocando brigas e tumultos nos principais aeroportos do país e que Martha Suplicy manda os passageiros "relaxarem e gozarem".

Que país é esse, leitores do DR?

Hoje em dia, o Jornal Nacional da Rede Globo gasta dois terços de seu noticiário para relatar escândalos políticos e particulares, seqüestros, assassinatos, desastres medonhos em rodovias de má conservação. Ao assistir o Jornal Nacional, tenho a impressão de que estou ouvindo no rádio o programa Patrulha da Cidade, da Rádio Tupi do Rio. As notícias do mundo ficam espremidas e só têm destaque nos últimos minutos na voz de William Bonner e Fátima Bernardes.

Mas nos próximos dias, o povo do Rio terá um certo descanso. Os Jogos Pan-Americanos, de uma forma ou de outra, vão substituir, crimes e falcatruas para noticiar – com orgulho a mil – as raras medalhas que o Brasil deverá ganhar.

É esperar para ver...

(*) Artigo originalmente publicado no saite Direto da Redação ( www.diretodaredacao.com )

* Jornalista há 43 anos (atualmente na ESPN Brasil), com passagens pelo Jornal do Brasil, O Globo, Correio da Manhã, O Dia, BlochEditores e rádios Nacional, Tupi e Globo. Publicou ´História Ilustrada do Futebol Brasileiro´, com João Máximo, ´Botafogo - 101 anos de histórias, mitos e superstições´ e ´Girias do Futebol´, com Carlos Leonam.


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Leia também em www.diretodaredacao.com os seguintes artigos:

* A vaia e suas teorias, de ELIAKIM ARAUJO - Orquestrada ou não pelos grupos de oposição, a vaia ao presidente pode ter sido motivada pela tradição oposicionista e pelo espírito irreverente do carioca.

* As primeiras medalhas, de CLAUDIO LESSA - Ouro para o que disse que "não tinha povo" no Maracanã, prata para um locutor de TV que disse que as vaias eram por causa do atraso no início da cerimônia.

* Tempo de violência global, de ANTONIO TOZZI - No Brasil, nos Estados Unidos ou na Arábia Saudita, três exemplos mostram como o mundo está violento e como o assunto é tratado em cada país.

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