|   Jornal da Ordem Edição 3.088 - Editado em Porto Alegre em 19.07.2018 pelo Departamento de Comunicação Social da OAB/RS
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ARTIGO

17.05.07  |  José Carlos Teixeira Giorgis   

Os dramas familiares e o estresse - Artigo de José Carlos Teixeira Giorgis

Por José Carlos Teixeira Giorgis,
desembargador aposentado do TJRS.
 
Dizem que está tudo mais rápido, parece que a terra move com mais velocidade; fala-se que a causa é ressonância do planeta e sua ciclagem alterada; ou o estado mental que se adapta melhor a determinados locais que outros, onde é preciso um reconhecimento mais demorado, e tempo mais largo.

As solicitações da vida moderna, e a competição, implicam em desafios e decisões que não passam por tranqüilas perplexidades apenas, mas motivam dolorosas reações; e frustrações que demolem a estrutura pessoal.

Pode ser um engarrafamento; buzinas exageradas; um acidente ou a falta de energia elétrica; o fracasso do pleito ou a sisudez de quem se aguardava um sorriso; o domingo cinzento com a derrota do time predileto, a compra desejada que não corresponda, o plano econômico que prejudica; o emprego que não chegou; a tensão da noite mal dormida; a angústia do telefone que não toca ou a espera de alguém que não chegará; a idade.

Tudo é estresse, um mal do século contemporâneo que muda o ritmo biológico em frenagens e disparadas, estado de desarmonia, de ambigüidades e inseguranças, irritações bruscas, confusão ou grande felicidade.

Pensado por Seyle como síndrome ou desgaste da saúde psicossomática, é tido como a mobilização química do corpo para atender as exigências da luta pela vida, morte ou fuga; fenômeno inevitável que impõe a adaptação à mudança; nem sempre equiparado à ansiedade.

Entre suas manifestações alinham-se a irritabilidade, a expectativa, o pessimismo, a depressão, o isolamento, a impulsividade, o pânico; também perda ou excesso de apetite, a falta de concentração, a reação comovida ao ambiente hostil; e daí o alcoolismo, bulimia, tabagismo, consumo de drogas, uso de ansiolíticos e calmantes, fuga psicológica, conduta destrutiva, robotização comportamental.

Então, não é estranho que nele se possam aderir as catástrofes familiares onde fricções se agudizam e são mais condoídas, os sentimentos atentos, a pele elétrica.

A família é o oceano onde navegam as caravelas dos afetos, mas porto onde desembarcam os golpes da decepção e da crueldade; pois o amor também se desarranja, desafeiçoa-se, fica impiedoso; e suas feridas exalam desilusão e ressentimentos, afetando a melodia da congruência do tecido humano.

Nas salas dos advogados desfilam restos de paixões, os promotores viram olhos e ouvidos das antipatias; os psicólogos escutam os queixumes da consternação; e as ruínas de benquerença deságuam nos átrios forenses, na esperança de os juízes salvem filhos, bens ou lembranças, mitiguem o que eterno não foi.

As mágoas familiares abalam os aprestos da normalidade psicológica e repercutem em alterações da bagagem corpórea, com as seqüelas da carência e tormento, agressividade e solidão, também produzem estresse.

Não se estranha que Holmes e Rahé tenham organizado lista descendente de pontos para as situações das estirpes, anotando os escores para os eventos das vidas conjugais.  

Assim, constituem fatos estressantes, a morte do cônjuge ou companheiro (100), divórcio (73), separação (63), casamento (50), reconciliação com cônjuge ou companheiro (45), gravidez (40), dificuldades sexuais (39), acréscimo de novo membro na família (39), alteração de situação financeira (38); número de discussões com o parceiro (35), comprometimentos com hipoteca ou empréstimos (30) saída dos filhos de casa (29), problemas com sogros (29), fim do emprego do cônjuge ou companheiro (26), mudança de domicílio (20), alteração do número de encontros familiares (15), férias (13).

O pragmatismo da pesquisa, contudo, não consola a aflição nem abafa o pesar da condolência familiar.
 
(*) E-mail: jgiorgis@terra.com.br 

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Durante esta semana o Espaço Vital seguirá publicando novos artigos inéditos de José Carlos Teixeira Giorgis.

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